Grupo de pesquisa - Rentismo e Neoextrativismo
O que fazemos

Este projeto nasce do acúmulo crítico de uma trajetória de pesquisa do INCT Observatório das Metrópoles dedicada à compreensão das transformações recentes do território brasileiro. Seu ponto de partida é a coletânea “A nova urbanização dependente no capitalismo rentista-neoextrativista”, que sistematizou evidências de uma profunda inflexão no padrão de desenvolvimento urbano e regional do país.
No Brasil do século XXI, assistimos a uma mudança estrutural decisiva: a substituição do padrão industrial por um modelo de acumulação rentista-neoextrativista, processo que aprofunda a condição histórica de dependência nacional. Essa transição não é apenas econômica — ela redefine o uso do território, reorganiza as cidades e reconfigura as relações entre Estado, capital e sociedade.
Nesse novo contexto, grandes corporações nacionais e internacionais passam a exercer formas cada vez mais intensas de apropriação, controle e operação do território, em múltiplas escalas. É por isso que conceitos como cidade corporativa e urbanização corporativa, formulados por Milton Santos, tornam-se novamente centrais na interpretação da realidade contemporânea.
A expansão desse padrão de acumulação tem se mostrado um vetor-chave da atual reestruturação da ordem urbano-regional brasileira. Se antes o território era organizado sob o horizonte — ainda que desigual — da integração nacional, hoje predominam dinâmicas que acentuam a fragmentação territorial e social, produzindo ilhas de modernização articuladas a circuitos globais de acumulação e vastas áreas submetidas à precarização.
Essas transformações se expressam de maneira particularmente visível nos circuitos financeiro-imobiliários, do agronegócio, da mineração, do petróleo, da logística e das plataformas digitais de comércio e serviços, que moldam novas morfologias urbanas e novas formas de vida social.
Objetivo
O projeto tem como objetivo central analisar os nexos entre o padrão de acumulação rentista-neoextrativista e o processo de reestruturação da ordem urbano-regional brasileira. Partimos do entendimento de que tendências como a financeirização, a reprimarização, a desindustrialização e a plataformização da economia produzem impactos socioterritoriais profundos, ainda insuficientemente compreendidos.
Hipóteses
Para explorar essas transformações, o projeto se organiza a partir de sete hipóteses analíticas, que funcionam como eixos de reflexão teórica e empírica:
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Urbanização planetária e/ou extensiva
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Homogeneização capitalista do território
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Urbanização subdesenvolvida
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Fragmentação do território e da nação
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Processos simultâneos de desconcentração e reconcentração urbana
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Articulação entre a precariedade do trabalho e a precariedade da vida urbana
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Promoção estatal do novo padrão de acumulação
Essas hipóteses iluminam diferentes dimensões da reestruturação urbano-regional em curso no Brasil e orientam a definição dos objetivos específicos da pesquisa, bem como de suas estratégias analíticas.



O Observatório das Metrópoles é um Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) que trabalha de forma sistemática e articulada sobre os desafios metropolitanos colocados ao desenvolvimento nacional, tendo como referência a compreensão das mudanças das relações entre sociedade, economia, Estado e os territórios conformados pelas grandes aglomerações urbanas brasileiras. Atualmente, a equipe do INCT Observatório das Metrópoles é composta por mais de 400 pesquisadores vinculados à instituições de ensino superior, distribuídos pelos 18 núcleos regionais da rede.